Olhares perdidos

No meio da devastação, alguns setores estão sendo esquecidos, e reclamam o olhar do Estado. Por exemplo, os que vivem nas ruas, os índios, os presidiários, os que trabalham na Cultura, os catadores do lixo reciclável , alerta a jornalistas Tereza Cruvinel sobre o combate ao coronavírus edit

Honrar os mortos, cuidar dos doentes e proteger os que ficarão ao relento, sem renda, sem emprego, sem comida, alguns sem os meios mínimos para se defender do inimigo invisível. No meio da devastação, alguns setores estão sendo esquecidos, e reclamam o olhar do Estado. Por exemplo, os que vivem nas ruas, os índios, os presidiários, os que trabalham na Cultura, os catadores do lixo reciclável, entre outros.

Muito antes do coronavirus chegar, o engasgo da economia e o descaso social do governo já nos mostravam o aumento de pessoas estiradas sob as marquises das grandes cidades. Ou amontoadas em lixões nas encostas da cidade, como aqui em Brasília. Sem água, sem sabão, e muito menos álcool em gel, vivendo em contato direto com o chão em que o vírus rasteja, eles são alvos fáceis. Podem se tornar usinas de coronavirus. Quantos são vps windows no Brasil? Ninguém sabe ao certo mas um estudo do IPEA fala em cerca de mil pessoas em situação de rua. O poder público tem que fazer algo por elas. Levá-laspara abrigos, separar infectados ou com sintoma, já que testes não estamos tendo. Improvisar abrigos, em escolas fechadas ou outros locais sem uso, onde possam dormir, comer e adotar os cuidados higiênicos. Imóveis fechados não faltam aos governos.

Os presos são mais de mil. As condições sanitárias nas prisões superlotadas são as piores possíveis, a comida é ruim e muitos são portadores de outras doenças. Além de AIDS, voltou a grassar a tuberculose. Em muitos presídios, há revezamento para se dormir num colchão. O ar é abafado, quando não é fétido. As visitas foram proibidas mas em muitos estados, presos recapturados foram reintroduzidos na população, talvez contaminados pelo coronavirus. Os agentes penitenciários, que talvez tenham a pior profissão do mundo, também estão correndo riscos. Em artigo na Folha de S. Paulo de hoje, a presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais, Luciana Dytz, propõe que os presos em situação mais vulnerável possam ser transferidos para o regime domiciliar ou para o cumprimento de penas alternativas. E cobra que os governos estaduais tratem de abastecer as prisões com sabonetes, água sanitária e álcool em gel, se possível, pois tudo anda em falta. Definitivamente, não nos preparamos para a crise, estocando os insumos necessários, do álcool aos respiradores, sabendo que o Covid estava a caminho. Os defensores públicos se propõe a ajudar nesta frente humanitária.